sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Barcos na Lagoa (2). Outubro de 2013


















2 comentários:

  1. GÂNDARA

    Vai na lagoa um cheiro de maré,
    cheiro de juncos, o que a tarde teve.
    Mulheres da monda mondam na maré,
    de joelhos nus, ao sol dum dia breve.

    Aquieta-se em modorra a planície,
    os olhos das mulheres gotejam de sono.
    É quase raiva a praga que se disse
    à carne arrepiada do outono.

    Asas descem o dia, um olhar estreita
    aves e campos. Sob os céus doirados,
    juncos colhidos a um sol de mágoa.

    Corre a lagoa um frio de maleita.
    E coras. Os sapos abismados
    espreitam teus seios pelo espelho de água.

    Carlos de Oliveira, TURISMO, Coimbra, Novo Cancioneiro, 1942.

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  2. Pescador da barca bela,
    Onde vás pescar com ela
    Que é tão bela,
    Ó pescador!

    Deita o lanço com cautela,
    Que a sereia canta bela.
    Mas cautela,
    Ó pescador!
    Não se enrede a rede nela,
    Que perdido é remo e vela
    Só de vê-la,
    Ó pescador.

    Pescador da barca bela,
    Inda é tempo, foge de ela
    Foge de ela,
    Ó pescador!

    Almeida Garrett

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